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A aliança milenar entre golfinhos e humanos corre risco de extinção

Rebeca Araújo / Projeto Golfinhos do Brasil


A colaboração entre pescadores e golfinhos é um evento observado há pelo menos um século, mas, a poluição e a escassez de peixes podem acabar com a cooperatividade, dando lugar à competição.


Golfinho-nariz-de-garrafa (Tursiops truncatus) | Foto: Bruna Rezende


Em 1982, o biólogo Stephen Leatherwood comparou o golfinho nariz de garrafa aos coiotes e cervos, ele estudou a incrível capacidade de adaptação desses animais aos ambientes humanos. Leatherwood chegou à conclusão de que os golfinhos aproveitam as ondas de pressão geradas pelos navios para “pegar carona” e economizar energia, Leatherwood também percebeu que os golfinhos reconheciam barcos de pesca e os ignoravam, mas não costumavam fazer o mesmo com barcos camuflados ou de pesquisa.


Nesse mesmo estudo, notou-se que, com a piora da qualidade da água devido a poluição, grupos de golfinhos deixavam o local, porém, quando a qualidade melhorava, eles retornavam, mostrando que são animais resilientes e fiéis ao seu habitat.


Na região sul do Brasil, existe um fenômeno que se repete há pelo menos um século: Golfinhos e pescadores estabeleceram uma parceria, a presença dos golfinhos indica a presença de peixes, seu mergulho é o sinal que os pescadores precisam para lançar as redes, estabelecendo assim uma relação mutualística. As redes dos pescadores agem como uma barreira física, onde golfinhos conseguem seu alimento e a presença dos golfinhos aumenta em 17 vezes as chances de uma boa pesca.


No entanto, é preciso entender que nem todas as interações são positivas, e que a crescente humanização dos golfinhos apresenta uma séria ameaça a sua segurança. O grande tráfego de barcos na região gera poluição sonora, que afeta a ecolocalização dos golfinhos, que é essencial para a caça e comunicação. As colisões com navios e a pesca acidental também são fortes ameaças a esses animais. 


Por fim, a oferta de comida por turistas tem alterado o comportamento natural da espécie, o que tem aumentado o número de interações negativas devido à agressividade dos golfinhos.


Por natureza, os golfinhos são animais dóceis, porém, o crescente número de mudanças em seu habitat tem bagunçado com seus hábitos e os forçado a mudar, acabando com a ordem natural. É importante entender que,  para a cooperação continuar existindo, é preciso respeito para que os golfinhos não sejam prejudicados em seu ambiente.



🐬 O Projeto Golfinhos do Brasil é uma realização do @institutoocanal em parceria com a @cesan_oficial, e apoio da @vitoriaonline, através da Secretaria de Meio Ambiente, @ufesoficial e da agência @capitaogriloes.




 
 
 

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